quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jesus Judeu ou Yahshua Essênio?!

Muito ouvimos sobre Jesus e sua origem Judaíca. Este assunto sempre é abordado de forma a entender que Jesus foi um fiel seguidor e praticante das Leis ditas “Mosaícas”, incluindo o sacrifício vicariante de animais, especialmente com a imolação do cordeiro na Páscoa, a postura patriarcal de submissão da mulher ao homem, o comer Kosher, entre outros regras do Judaísmo encontradas no Pentateuco.

Mas será que de fato as Leis do Velho Testamento e seus reflexos no Novo Testamento são mesmo originais do Judaísmo e foram praticados por Jesus o Nazareno?

Certamente sua crucificação ocorreu por afronta a Lei que perdurava majoritariamente entre os Fariseus e Sadoceus, e não pelo cumprimento desta lei, pois se ele realmente fosse um Judeu fiel, não teria recebido a sentença de morte de “seus irmãos”, mas sim um grande trono para reinar como Supremo Sacerdote dos Judeus, sendo reconhecido como o Meshiakh.

Relatos, em grande parte anteriores a versão mais antiga da Bíblia, trazidos por Fílo, Plínio, Joséfo, Solino, Porfírio, Eusébio, Epifânio, Crisostomo e Hipólito de Roma, somados aos Manuscritos do Mar Morto e outras descobertas históricas dos últimos séculos, traçam uma descrição mais cristalina sobre o antes desconhecido povo Essênio, um dos 3 principais grupos Judeus existentes na época de Jesus.

Estes relatos nos apresentam, basicamente, 2 grupos de Essênios: os Ossaenos, os quais viviam na região sul da palestina, possivelmente em Qunram, e os Nazarenos, ao Norte da Palestina, na Região do Monte Carmel.

A história nos diz que os Essênios compartilhavam todos os bens que possuíam, eram vegetarianos frugívoros, não fabricavam qualquer tipo de armas, são donos do registros mais antigo de condenação à escravidão humana, eram mestres arboculturistas e pastores, grandes conhecedores dos efeitos curativos da nutrição, do jejum, das ervas, das pedras, do sol, da água e da oração, eram famoso por sua eficiência na cura dos doentes e a caridade aos pobres, andavam em grupos de 12 (1 sacerdote, 12 discípulos, sendo 3 mais próximos ao Sacerdote), vestindo-se sempre com linho branco, são inegavelmente os praticantes originais do batismo, e tudo indica que João Batista, primo de Jesus, foi um Ossaeno de Qunram. Os Essênios da santa congregação nazarena, localizada na região norte da palestina aos pés do Monte Carmel tinham longas barbas e cabelos, o que está de acordo com a referência histórica mais antiga sobre a imagem de Jesus, encontrada no Vaticano.

Plínio, Joséfo e Fílo, homens que verdadeiramente conheceram os Essênios disseram sobre a reputação deles:

Plínio


Uma raça por eles próprios, mais notáveis do que qualquer outra no mundo...


Joséfo


Eles mostravam mais amor do que os outros e viviam uma vida mais ética. Acertadamente, mereciam ser chamados um exemplo para a vida das outras pessoas... Da firmeza de suas mentes em todas as situações, a guerra com os Romanos deu ampla prova; nessa guerra, embora fossem torturados, suplicados na roda, queimados, esmagados e submetidos a todos os instrumentos de tortura para que fossem obrigados a blasfemar contra o legislador e a comer o que era proibido, ainda assim não foi possível obrigá-los à fazer qualquer uma destas coisas, tampouco, nem sequer uma vez bajulavam suas algozes ou derramavam uma lágrima mas, sorrindo em meio aos tormentos e caçoando do que os torturavam, alegremente entregavam suas almas, como se em breve fossem recebe-las de volta outra vez...

Filo


Viviam cada dia em constante e inalterada santidade...

Em relação a origem dos Essênios, Joséfo declara que eles existiram:

...desde tempos imemoriais...

e

...em incontáveis gerações...

Fílo concorda, chamando os Essênios de:

...os mais antigos de todos os iniciados...

com um

...ensinamento perpetuado através de um imenso espaço de eras...


e o consenso entre os relatos que Sua origem está perdida na pré-história com certas lendas antigas conectando-as com Enoch.

Frankel em sua obra “Zeitschrift für die religiösen Interessen dês Judenthums, 1846”, nos orienta:

...nos tempos primitivos existiam somente Essênios (Chassidins), o nome Perush (Fariseus) ainda não era conhecido, só mais tarde, é que o nome Fariseu parece indicar os Judeus menos estritos...

Edwald, na segunda edição do quarto volume de sua História Judaica, 1852, nos trás mais luz sobre os Chassidin:

...eles representam o desenvolvimento direto e legítimo do Judaísmo...

O historiador Jost em seu livro A História do Judaísmo, 1857, nos diz:

Os Essênios são exatamente o que os outros Rabis desejavam ser...

O Professor Hilgenfeld, de Iena, nos diz que os Essênios eram Os Judeus Legítimos e que devem ser considerados como os sucessores dos antigos profetas, os continuadores da escola profética.

Se analisarmos a origem etimológica, a palavra Fariseu significa: "separado" ou “segregado”, com mais elementos fica claro compreender que eles receberam esta nomenclatura por se separarem de um grupo original, o dos Essênios.

O antigo erudito Filo, sendo citado por Eusébio em sua Praep. Evang,VIII, 11, do tratado perdido com o título de Apologia aos Judeus nos revela algo surpreendente:

Nosso legislador, Moisés, formou inúmeros discípulos numa comunidade chamada Essênios, que, como parece, obteve esse nome em virtude de sua santidade...

O atual erudito Rabi Harvey Falk, e obras como O Livro Essênio de Moisés confirmam que as verdadeiras Leis de Moisés foram dadas aos Essênios, pois a massa Judaíca não tinham capacidade para compreendê-las ou praticá-las.

A história apresenta, em diversos momentos, Essênios como Cristãos Primitivos, e suas práticas se confundem dada a grande semelhança.

São Jerônimo, São João Crisóstomos, Clemente de Alexandria, Eusébio, Irineu, Plínio, governador da Bitínia (onde Pedro pregou, atual Turquia), Sêneca, filósofo e tutor de Nero e contemporâneo de Jesus Cristo, são fontes que variam da contemporaneidade até o séc. 4 D.C., e apesar serem algumas Cristãs e outras anti-Cristãs todas concordam em um específico ponto:

Os Cristãos originais não comiam qualquer tipo de carne...

Os documentos da antiga Igreja indicam que a ingestão de carne não era oficialmente permitida até o século 4, quando o imperador Constantino decidiu que a sua versão de Cristianismo seria imposta a todas as pessoas, data que coincide com o desaparecimento dos Essênios e o massacre dos Cristãos Primitivos.

Depois dele, os Cristãos vegetarianos tiveram que manter sua prática em segredo, sob o risco de serem condenados a beber chumbo derretido por heresia.

Representantes da linha mais pura do Judaísmo, os Essênios alertavam contra as falsificações do AT, onde foi introduzido o sacrifício vicariante de animais para a remissão dos pecados dos homens, por meio de ritos pagãos absorvidos no cativeiro babilônico, onde inclusive sacrifícios humanos eram oferecidos aos “Deuses”.

A confirmação de que os Essênios adotavam outras leis que não a dos Judeus babilonizados, ficou clara com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e a aparição de diversas obras, tais como o Gênesis Essênio, o que comprovou que os Hassidins, ramos mais puro do Judaísmo, usavam uma Lei distinta da preconizada pela massa.

Epiphanio, em seu Panarion, nos confirma a existência de 2 linhas distintas de Essênios, vejamos o que ele diz sobre uma delas:

Os Nazarenos – eram Judeus por nacionalidade – originalmente de Gileaditis (para onde os primeiros seguidores de Jesus fugiram após o martírio de Tiago o irmão de Jesus), Bashanitis e da Transjordon. Eles reconhecem Moisés e acreditam que ele recebeu as Leis – entretanto não esta Lei (Pentateuco), mas outra. Portanto, eles eram Judeus que mantinham todas as observâncias Judaicas, mas eles não ofereciam sacrifícios ou comiam carne. Eles consideravam uma transgressão da Lei comer carnes ou fazer sacrifícios com ela. Eles clamavam que aqueles livros eram ficções, e que nenhum destes costumes foram instituidos pelos Patriarcas.

Em seu livro Adv. Haer., Livro 1, ord. XIX, pág. 39, Epifânio, ainda, falando sobre um Essênio nos informa:

...ele rejeita as cerimônias de sacrifícios do altar como repulsivas à divindade, e que, de acordo com o pensamento dos padres e da Lei Mosáica, jamais foram oferecidos ao Senhor... Rejeita o consumo de carne animal, comum entre os Judeus, e outras coisas; e mais ainda, o altar e o fogo do sacrifício como estranhos à divindade...

Estas informações nos ajudam a entender que, Jesus foi um Judeu, mas não qualquer tipo de Judeu, e sim um Chassidin (Essênio) Nazareno Ebionita do Monte Carmel.

Os livros adotados pelos Judeus Fariseus desde aquela época até os dias atuais são os livros rejeitados pelos Nazarenos do passado e do presente, bem como o Novo Testamento Canônico não é considerada a obra original da vida de Jesus, mas sim O Evangelho dos Doze Santos, obra referida por antiqüíssimos relatos dos anais do Cristianismo, redescoberta, traduzida e publicada em 1880.

Perfil do Autor: Flávio
Postagem Original: Jesus Judeu ou Yahshua Essênio?!

Meus Comentários

A grande maioria dos Cristãos e outros leigos em assuntos ditos religiosos, sempre tomam o Judaísmo como sendo uma religião, uma tradição ou seita - porém, este é um grande engano. O Judaísmo não, e nunca foi uma religião, e sim legislações ditas 'religiosas'. No Hebraíco mais antigo, tal palavra 'religião' nem mesmo existe. É uma invenção muito posterior.

Veja que, tal palavra 'religião' jamais foi usada em qualquer canto do Pentateuco, sim como sendo um povo distinto dos demais.

Alguns se deixam enganar pela falácia de que Jesus é o mesmo tipo de Judeu, isso é, seguidor da 'tradição' Judaíca. Os Fariseus na verdade, tentaram assassiná-lo e falharam. Estes assassinos, vís, sucederam em matar inúmeros profetas porque suas palavras não os agradavam.

Da mesma forma, este mestre não poupou palavras duras e julgamentos precisos, e por isto, esteve sob a mira dos Sacerdotes todo o tempo que esteve em Jerusalém.

No artigo Judaísmo, olhando-se a definição é dito:

A clear and concise definition of Judaism is very difficult to give, for the reason that it is not a religion pure and simple based upon accepted creeds, like Christianity or Buddhism, but is one inseparably connected with the Jewish nation as the depository and guardian of the truths held by it for mankind. Furthermore, it is as a law, or system of laws, given by God on Sinai that Judaism is chiefly represented in Scripture and tradition, the religious doctrines being only implicitly or occasionally stated; wherefore it is frequently asserted that Judaism is a theocracy (Josephus, "Contra Ap." ii. 16), a religious legislation for the Jewish people, but not a religion.

Tradução

Uma clara e concisa definição de Judaísmo é bem difícil de apresentar, pela razão de que não é uma religião pura e simples baseada em credos aceitos, como Cristianismo ou Budismo, mas é inseparávelmente conectada com a nação Judaíca como depositora e guardiã das verdades destinadas para a humanidade. Ademais, é uma lei, ou sistema de leis, dadas por Deus no Sinai que o Judaísmo é representado principalmente em Escrituras e tradição,as doutrinas religiosas sendo implícitamente ou ocasionalmente mencionadas; porém é frequentemente afirmado que o Judaísmo é uma teocracia (Josephus, "Contra Ap." ii. 16), uma legislação religiosa para o povo Judeu, mas não uma religião.
Fonte: Jewish Encyclopedia

Outro equívoco é a tradução errada de Jesus de Nazaré, tendo como justificativa de que este seria o local de seu nascimento, ou de estadia. Se fosse porém, para nomeá-lo de acordo com o local de origem o correto seria 'Jesus de Belém'. Belém estava localizado na Judéia, no momento de sua vida era uma província Romana.

Então, estabelece-se o fato de que Jesus era de fato um Judeu, por nacionalidade - e por crença, um Essênio.

Recentes escavações no Oriente Médio, descobriram uma área rural pequena que acredita-se ser a cidade de Nazaré. Não ficou definido porém, desde quando tal local existe para dizer com alguma segurança de que Jesus tomou conhecimento de tal cidade.

O que existe porém com este nome, era uma seita chamada Nazarenos. O livro escrito provavelmente por Lucas, um seguidor do Assassino de Cristãos, Paulo de Tarso se refere à Jesus o Nazareno, e não Jesus de Nazaré. Vale lembrar que Pilátos cunhou uma placa que foi colocada acima da cruz com os dizeres "INRI - Iesvs Nazarenvs Rex Ivdaerivm", isto é, "Jesus o Nazareno, Rei dos Judeus".

Bibliografia: Escavações em Nazaré